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Projetos
sociais ampliam acesso às artes marciais
Um dos exemplos do potencial das artes marciais dentro
de um trabalho comunitário foi a formação da
ONG Ação Harmonia Brasil em maio passado, que visa
difundir o ensino do aikido em comunidades carentes. Segundo José
Roberto Bueno, professor de aikido e um dos mentores dessa iniciativa,
tudo começou há dois anos com uma simples apresentação
na Casa da Criança e do Adolescente Betinho - CCAB - no Jardim
Jaqueline - Zona Oeste da capital paulista. Montamos alguns
tatames no refeitório da Casa para uma demonstração
e tudo terminou com a garotada da comunidade experimentando o aikido
em um clima de encantamento geral - relembra.
A CCAB decidiu providenciar tatames, reuniu um grupo
de crianças com mais de 7 anos e em abril de 2002 as primeiras
aulas regulares começaram, comandadas por Bueno e alguns
de seus alunos. A participação dele em uma conferência
internacional sobre o desenvolvimento do aikido fora das academias
(presídios, empresas, com jovens infratores, deficientes,
etc) foi o incentivo final para criação da ONG.
O Ação Harmonia mantém atualmente
26 alunos entre 7 e 17 anos, divididos em duas classes na comunidade
do Jardim Jaqueline. Em 2004, uma parceria com o Comando da Policia
Militar de São Paulo permitirá que o projeto seja
adotado na favela São Remo - Zona Oeste de São Paulo,
onde o 16ª Batalhão desenvolve um trablho com cerca de 200
crianças. A única exigência é que elas
freqüentem a escola.
Segundo Bueno, uma das principais características
das crianças que participam dessas iniciativas é a
dedicação e a vontade de aprender. Ele explica que
o interesse delas é muito grande, o que faz uma enorme diferença
no desenvolvimento educacional dentro e fora do tatame. Na
favela, a vontade de 'se dar bem' a qualquer preço pode ser
um grande estímulo à criminalidade e o aikido ensina
que para ser alguém melhor na vida não é preciso
destruir os outros. Ele comenta que as crianças chegam
às aulas pensando em aprender a lutar e bater, mas descobrem
que a harmonia dentro delas é o verdadeiro poder.
Equipe vencedora
O "Meninos do Morumbi", que atende a comunidades carentes
da Zona Sul de São Paulo (27 favelas) desde 1997, ficou conhecido
internacionalmente pelas apresentações musicais de
crianças que integram o Projeto. Dentre outras várias
atividades atreladas à música, as aulas
de jiu-jitsu também apresentam resultado vencedor. O trabalho
surgiu a partir da vontade do campeão mundial e presidente
da Liga Profissional de Jiu-jitsu, Fábio Gurgel, de levar
os beneficios da prática do jiu-jitsu a crianças que
jamais teriam acesso aos treinos em academias tradicionais.
A maioria dos adolescentes que integra as atividades
do Meninos do Morumbi é oriunda de áreas carentes,
mas nao há discriminação quanto a origem social.
"Crianças de qualquer poder aquisitivo são bem-vindas"
- salienta Fábio. Dos 4 mil adolescentes que integram o Projeto,
160 praticam jiu-jitsu três vezes por semana, divididos em
4 turmas de 40 alunos. A regra inicial é a criança
fazer parte da Banda Meninos do Morumbi, carro chefe do projeto.
Fábio conta que foi possível formar
uma equipe de competição com vários talentos
e que já existe uma lista de espera para novas turmas que
devem começar no próximo ano. Segundo ele, a filosofia
de uma arte marcial é uma ferramenta importante de inclusão
social, já que ajuda a criar auto-estima e confiança
em jovens que vivem com a violência tão presente. "Isso
fica evidente no orgulho que eles demonstram pelos títulos
que conquistam e por se verem como uma grande equipe" (no último
campeonato brasileiro, realizado no Rio de Janeiro, a equipe do
Meninos do Morumbi participou com 12 atletas que conquistaram 10
medalhas, das quais 4 de ouro).
Fábio lembra que um dos diferenciais do trabalho
realizado no Meninos é a filosofia de pagamento pelo trabalho
dos professores envolvidos no projeto. Ele argumenta que a remuneração
permite maior cobrança por resultados e estimula o comprometimento
de todos com a busca dos objetivos propostos. "Isso tem dado
muito certo, já que as próprias crianças percebem
essa postura e dão um valor ainda maior à oportunidade
de participar das atividades" - explica.
Atividades de programa
da Secretaria Estadual de Educação incluem artes marciais
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