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Espadas conservam encanto e respeito

A espada representa uma das mais reconhecidas e tradicionais armas utilizadas no treinamento de artes marciais. Lojas especializadas oferecem os modelos para treinamento (sem corte) da japonesa (katana) e da chinesa (kin), de diversos materiais, origem e preço. Geralmente elas são de madeira, bambu, aço ou titânio. O modelo correto depende da arte marcial e do grau de precisão almejado. As mais sofisticadas são as importadas, que, mesmo industriais, possuem detalhes que as tornam similares às de verdade (empunhadura de katana forrada com pele de arraia, por exemplo).

A diferença entre os desenhos da espada japonesa e chinesa mostra o conceito para uso de cada uma delas em combate. As primeiras caracterizam-se pelo alinhamento ligeiramente curvo e corte em apenas um dos lados, adequando-se a amputação ou corte amplo. As chinesas são retas, pontiagudas e com fio em ambos os lados, características apropriadas à estocada e dilaceração de órgãos internos e artérias com movimentos curtos. Ao contrário do que ocorreu na China, onde o desenvolvimento técnico dessas espadas se estagnou ao longo dos séculos, no Japão, a confecção de katanas tornou-se uma atividade artística extremamente valorizada.

Caras e raras
A demanda por uma katana verdadeira é muito restrita. Geralmente elas são procuradas por colecionadores de cutelaria ou praticantes de artes marciais que desenvolvem estilos específicos de kenjutsu - conjunto das técnicas de manejo de espada - um dos exemplos é o corte de objetos chamados flexíveis (feixes de palha).

Adquirir uma katana dessas não é barato nem simples. Na internet é possível encontrar oferta de exemplares confeccionados por artesãos brasileiros por cerca de R$ 1.500,00. O custo das japonesas varia muito: uma sem assinatura, confeccionada por artesãos iniciantes ou desconhecidos, custa em torno de U$ 2.000. Espadas produzidas por algum artista renomado valem, no mínimo, cerca de U$ 5.000 e não há limite para esse valor.

Nem toda espada verdadeira pode deixar o Japão. Muitos desses artefatos são considerados tesouros nacionais. Para se ter idéia, dentro do território japonês, mesmo só para transporte de um exemplar, é necessária uma autorização policial. A saída ou não do país depende do aval da Nippon Bijutsu Token Hozon Kyokai - NBTHK. Essa organização tem respaldo do governo japonês para avaliar e certificar as espadas e só libera para deixar o Japão as katanas consideradas comuns.

Papelada
Estudos jurídicos mostram uma certa controvérsia sobre a regulamentação de posse de uma espada verdadeira no Brasil. A legislação de registro e posse de armas não é muito clara quando o assunto é arma branca, o que abre espaço para interpretações divergentes por parte de quem lida com esses objetos, sejam colecionadores, autoridades, comerciantes ou praticantes de artes marciais.

Quanto ao porte, a lacuna jurídica é ainda maior, afinal de contas fica díficil imaginar que legisladores levariam em conta que haja alguém interessado em andar com uma espada na cintura. O fato é que as leis brasileiras não preveêm a expedição de licença para porte de arma branca. Em uma blitze, valerá sempre a interpretação circunstancial dos agentes policiais para se considerar se há ou não algum delito.

Entrar no Brasil com uma espada de verdade exige o cumprimento de algumas formalidades. O serviço alfandegário da Receita Federal no Aeroporto Internacional de Cumbica em Guarulhos - SP - informou que objetos cortantes com potencial específico para ferir mortalmente ficam retidos, até a apresentação de documento liberatório fornecido pelo Exército. O Departamento de Produtos Controlados do Exército explica que a posse legal de uma espada verdadeira necessita de registro e que a liberação na Alfândega depende de uma guia específica emitida pelas unidades do Ministério do Exército espalhadas pelo País.

 

Confira
1 - Kendo Online
Site comercial com foco em material para treinamento de Kenjutsu. Oferece espadas de treinamento importadas. Também aceita encomenda de katanas verdadeiras confeccionadas no Japão.

2 - Knife Company
Site comercial e informativo voltado a colecinadores de cutelaria. Contém vários textos sobre espadas, enfocando processos de produção, manutenção e forjadores brasileiros.

3 - Texto sobre a história das espadas chinesas (inglês)
4 - Site não oficial da NBTHK. Dados sobre essa entidade, responsável pela proteção das espadas japonesas (inglês).
5 - DFPC
Site da área do exército responsável pelo controle de armas e artefatos de uso restrito. Informações sobre normas e procedimentos legais para registro desses objetos.
6 - Página da Receita Federal com instruções normativas para bagagem de viajantes internacionais. Destaque para o artigo 16º.

Out/2003

 
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